Eu sou o Sol

novembro 18th, 2011 § Deixe um comentário


Eu tenho a força do trovão. Vento forte feito um furacão e te mordo toda vez que minha alma quer gritar. Lembro de você até a noite ainda me ser, ainda sou valente antes de qualquer causa. Sou feroz feito búfalo, trator selvagem que derruba muros e peitos. Eu tenho a selva aqui no meu delírio. Ainda sou menino, homem, velho no meu sentir habitual. Não existe ex amor, nem outras dores valentes. Não sou sua mentira solene, nem sua hipocrisia instantânea. Não sei ser só uma lembrança, uma criança que chora no colo implorando seu amor. Eu sou o Sol. Eu sou o mar. Eu arranco cometas de suas rotas com petelecos. Derreto concreto com a saliva. Minha alma é liberta e simples. Minha alma é indiscutivelmente invasora. Saio do seu passado pro seu futuro, sou tatuagem eterna. Não sei te lamber pra não te comer. Todo o céu cabe aqui no meu olho, e meu sangue ferve dentro de você. Minha respiração ofega dentro dos seus pulmões, minhas palavras te cortam se não bebê-las, e descem pela sua garganta te deixando em febre. Você sua enquanto te toco. Você geme enquanto te decifro. Você goza enquanto te assopro.

Eu tenho um coração maior que a noite. E o dia me cobre de intensidade. Sou sua maldição, o inesquecível ser que te faz amar. Que te ensina todo amanhecer que nenhum passado se finda. Que nenhum beijo se acaba. Que quando te abraço você sufoca, quando te largo você se esvai em poeira. Qualquer boca que tocar não terá meu gosto. Qualquer cheiro que sentir não te entorpecerá. Qualquer vida que viver não terá meu nome. Quando ouvir qualquer música não será minha. Nem as poesias terão minha assinatura. Nenhuma paixão terá minha jura. Eu sou quem te provoca das mais diversas formas. Os anos passam e cada acordar seu é uma angústia porque não foi meu corpo que amassou o lençol dormido ao seu lado. Eu sou parte de você, como um órgão vital pra sua andança. Não conseguiria jamais me encarar de frente, porque eu sou quem te queima a pele e te marca.

Não vem me derrubar, nem chegue perto! Nem chegue perto, nem vem dizer que o sol é apenas mais uma estrela, não estou nem aí pras suas lamúrias. Não vem pra me atirar pedras, faço o que quero, sigo qualquer rumo impreciso, sou amante de mim, sou Narciso. Nem seu grito me ensurdece, nem sua boca me devora, quer me derrubar? Senta e chora! Não dá, qualquer pedra no caminho eu vou chutar. Qualquer brincadeira de criança eu vou ganhar, qualquer rosa sublime vai ser minha lança, e meu escudo é a esperança. Não chega pra criar quizumba, não vem fazer macumba, meu santo é forte, nem você e seus guias me entrelaçam. Eu sou do mundo, dos meus amigos, do meu luar e do meu amor. Eu sou a própria claridade, nem vem espreitando, sambo em cima da sua soberba. Se você é fogo, eu sou água, se é cimento, sou o vento. Se quer me segurar, sou maleável, quer me mudar, sou imutável. Você tem veneno, eu bebo, sou de escorpião. Se tem coração de gelo, o meu é de vulcão. Eu sou lava que derrete sua base, sou o temporal que inunda sua segurança.

Eu sou as respostas certas. Eu sou as perguntas diretas. Eu sou as gavetas cheias, eu sou o saco vazio. Não vem querer me entreter, tentar me persuadir, eu não quero ser quem te deixa intocável, quero te invadir. Eu sou as poesias antigas, as falas românticas. De mim, você não se liberta. De mim, as flores sempre abertas.

Você não poderá nunca me arrancar de ti, nem que viva trezentas outras histórias, nem se disser que ama milhares de outros sapos que não eu, nem se casar de aliança e papel, nem assim poderá fugir de todas as partes minhas que são as únicas que te completam. Permaneço na sua cegueira completa de maneira delicada, como a primeira vez que te acariciei os abstratos e realizei o inimaginável. Qualquer sorriso seu não terá meu motivo. Quando chegar de me comparar com o mundo, perceberá o quão pequenos significam todos os momentos vividos depois de mim.

Eu sou a mão que te penetra a saia no cinema, sou quem te enlouquece em flores doces, quem te ensinou o amor nascendo da água. Sou seu silêncio dormindo a me observar. Sou quem te faz escrever cartas e diz seu nome alto pra que o mundo conheça a rainha. Sou eu quem te mostra a cidade, que te faz chorar com a chuva. Quem tem a pegada certa, o encaixe perfeito com suas mãos. Eu sou o verão. Eu sou o mistério. Eu sou a ansiedade indescritível que perturba. Sou o maluco indecente que te faz segura. Sou o perfeito cavalheiro que te deixa insegura. Sou mistura da sua dor com o seu prazer. Sou a única verdade sobre o amor. Não adianta resistir.

vem me acompanhar: http://eusouosol.wordpress.com

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